Pular para o conteúdo principal
Notícias de Anchieta

3º dia: MST mantém ocupação em área da Samarco em Anchieta

Ação cobra reparação pelos impactos do desastre de Mariana, além do assentamento de famílias acampadas no ES

Por Natiele Ribeiro dos Santos
Fotos: MST

Na madrugada da última segunda (9), cerca de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em sua maioria mulheres, ocuparam uma área pertencente à Samarco no município de Anchieta. A ocupação, que segue até hoje (11), integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e tem como objetivo denunciar os impactos socioambientais do rompimento da barragem em Mariana (MG), ocorrido há dez anos, além de reivindicar o assentamento de aproximadamente 1.500 famílias acampadas no estado.

As famílias permanecem acampadas em uma área do Complexo de Ubu, pertencente à mineradora. Segundo o MST, a ocupação denuncia o que o movimento considera impunidade em relação ao desastre ambiental de Mariana e cobra medidas de reparação, incluindo a restauração ambiental da bacia do Rio Doce e a ampliação da reforma agrária.

De acordo com o movimento, a região de Anchieta concentra grandes extensões de terra destinadas a empreendimentos industriais e minerários. O MST afirma que essa expansão reduziu áreas destinadas à agricultura familiar, gerando dependência econômica e ampliando a periferização urbana.

A organização também aponta impactos ambientais associados à mineração, como problemas na Lagoa de Mãe-Bá e no Rio Benevente, que teriam afetado a pesca e a qualidade da água, além de provocar prejuízos para comunidades tradicionais, pescadores e agricultores da região.

Negociações e posicionamentos

Durante a tarde de terça-feira (10), o acampamento recebeu a visita do secretário de Estado de Direitos Humanos do Espírito Santo, Renato Pazito Silva. Segundo a postagem do perfil oficial do MST, ele presidirá uma mesa de negociação que deve envolver órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Defensoria Pública e representantes da Samarco.

Entre as demandas apresentadas pelo movimento está o atendimento de assistência social às famílias acampadas, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Procurada, a Samarco confirmou a ocupação. Em nota, a empresa informou que acionou as autoridades competentes, colabora com os órgãos de segurança e monitora a situação.

Mobilização também ocorreu em Minas Gerais

A ação em Anchieta faz parte de uma mobilização mais ampla organizada pelo MST entre os dias 8 e 12 de março, durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.

Além da ocupação no Espírito Santo, cerca de 700 pessoas realizaram o bloqueio dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas no município de Tumiritinga (MG). Segundo o movimento, a mobilização busca denunciar a demora na responsabilização pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, e cobrar medidas efetivas de reparação às comunidades atingidas.

Mulheres do MST fecharam os trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Tumiritinga (MG).

No Espírito Santo, o MST afirma ter cerca de 3.500 famílias assentadas pela reforma agrária e outras 1.500 famílias acampadas, que aguardam acesso à terra para desenvolver projetos de agroecologia e produção de alimentos.

Publicidade

Matérias relacionadas