
Na madrugada da última segunda (9), cerca de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em sua maioria mulheres, ocuparam uma área pertencente à Samarco no município de Anchieta. A ocupação, que segue até hoje (11), integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e tem como objetivo denunciar os impactos socioambientais do rompimento da barragem em Mariana (MG), ocorrido há dez anos, além de reivindicar o assentamento de aproximadamente 1.500 famílias acampadas no estado.
As famílias permanecem acampadas em uma área do Complexo de Ubu, pertencente à mineradora. Segundo o MST, a ocupação denuncia o que o movimento considera impunidade em relação ao desastre ambiental de Mariana e cobra medidas de reparação, incluindo a restauração ambiental da bacia do Rio Doce e a ampliação da reforma agrária.



De acordo com o movimento, a região de Anchieta concentra grandes extensões de terra destinadas a empreendimentos industriais e minerários. O MST afirma que essa expansão reduziu áreas destinadas à agricultura familiar, gerando dependência econômica e ampliando a periferização urbana.
A organização também aponta impactos ambientais associados à mineração, como problemas na Lagoa de Mãe-Bá e no Rio Benevente, que teriam afetado a pesca e a qualidade da água, além de provocar prejuízos para comunidades tradicionais, pescadores e agricultores da região.
Negociações e posicionamentos
Durante a tarde de terça-feira (10), o acampamento recebeu a visita do secretário de Estado de Direitos Humanos do Espírito Santo, Renato Pazito Silva. Segundo a postagem do perfil oficial do MST, ele presidirá uma mesa de negociação que deve envolver órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Defensoria Pública e representantes da Samarco.


Entre as demandas apresentadas pelo movimento está o atendimento de assistência social às famílias acampadas, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência.
Procurada, a Samarco confirmou a ocupação. Em nota, a empresa informou que acionou as autoridades competentes, colabora com os órgãos de segurança e monitora a situação.
Mobilização também ocorreu em Minas Gerais
A ação em Anchieta faz parte de uma mobilização mais ampla organizada pelo MST entre os dias 8 e 12 de março, durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.
Além da ocupação no Espírito Santo, cerca de 700 pessoas realizaram o bloqueio dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas no município de Tumiritinga (MG). Segundo o movimento, a mobilização busca denunciar a demora na responsabilização pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, e cobrar medidas efetivas de reparação às comunidades atingidas.

No Espírito Santo, o MST afirma ter cerca de 3.500 famílias assentadas pela reforma agrária e outras 1.500 famílias acampadas, que aguardam acesso à terra para desenvolver projetos de agroecologia e produção de alimentos.