Pular para o conteúdo principal
Coluna Raphael Abdalla

Coluna Palavra de Fé: Não despreze o dia da angústia

Por Redação Folhaonline.es
Foto: reprodução

A angústia nunca foi uma visitante desejada. Sem avisar ela chega, muda o ritmo dos dias, altera o sono, pesa os pensamentos e, muitas vezes, nos obriga a enfrentar perguntas que evitávamos há muito tempo. Ainda assim, a Bíblia nos convida a não desprezar esse tempo difícil. Existe uma profundidade que só nasce em dias de luta.

Vivemos em uma geração treinada para fugir do sofrimento. Queremos respostas rápidas, soluções instantâneas e alívio imediato. O problema é que, ao tentar eliminar toda dor, também corremos o risco de perder os aprendizados que ela produz. Existem lições que não florescem nos dias de aplauso. Há amadurecimento que só aparece no vale.

A angústia revela o que realmente sustenta nossa vida. Enquanto tudo está funcionando, muitos confundem estabilidade com força espiritual. Porém, quando o chão parece tremer, descobrimos onde está nossa confiança. O salmista declarou: “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmo 50:15). O texto não diz “se” o dia da angústia chegar. Ele fala do “dia” da angústia, porque esse momento faz parte da experiência humana.

Grandes homens e mulheres da Bíblia atravessaram períodos assim. José conheceu a injustiça. Davi enfrentou cavernas, perseguições e lágrimas. Ana chorou profundamente antes de gerar Samuel. O próprio Cristo foi chamado de “homem de dores”. Nenhum deles saiu do sofrimento igual ao que entrou. Deus transformou noites difíceis em caminhos de crescimento.

Isso não significa romantizar a dor. Ninguém deve desejar o sofrimento. A angústia cansa, machuca e, às vezes, deixa marcas profundas. Entretanto, desprezar completamente esses dias pode nos tornar superficiais. Há pessoas que desenvolveram compaixão porque sofreram. Há famílias que reaprenderam a caminhar juntas depois de uma crise. Há homens e mulheres que descobriram a presença de Deus de maneira mais intensa exatamente quando perderam as próprias forças.

Muitos testemunhos bonitos da fé nasceram em ambientes improváveis. Hospitais, desertos emocionais, perdas, despedidas e recomeços já se tornaram altares onde Deus restaurou vidas. Algumas das orações mais sinceras não foram feitas em momentos de conforto, mas em madrugadas marcadas por lágrimas.

O apóstolo Paulo escreveu que “a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5:3-4). Existe uma construção acontecendo enquanto suportamos certos dias difíceis. Deus não abandona seus filhos no meio da tempestade. Muitas vezes, Ele trabalha justamente dentro dela.

Talvez alguém esteja vivendo agora um desses períodos em que o coração se sente apertado e o futuro parece nebuloso. A vontade humana é desistir, endurecer ou perder a esperança. Ainda assim, vale lembrar: o dia da angústia não é o capítulo final da história. Deus continua sendo Deus nos dias bons e também nas noites difíceis.

Não despreze o dia da angústia. Ele pode se tornar o lugar onde sua fé amadurece, sua visão muda e seu coração aprende novamente a depender do Senhor. Algumas sementes só germinam debaixo da terra escura. E há recomeços que nascem justamente nos dias em que pensamos que tudo estava terminando.

Publicidade

Matérias relacionadas