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Crueldade: mãe queima perna da filha de cinco anos com ferro

Por Yasmin Vilhena

conselho tutelarUma criança de cinco anos teve a perna queimada com ferro pela própria mãe na noite de ontem (26) em Guarapari. De acordo com um tio da vítima, o crime aconteceu porque a mulher queria ensinar uma lição para a filha: não brincar com ferro. O caso aconteceu no bairro Kubitschek.

A menina deu entrada no pronto-socorro do Hospital Francisco de Assis (HFA) às 21h58, acompanhada pelo tio. Por meio de sua assessoria de comunicação, o hospital informou que a paciente teve uma queimadura de segundo grau na face interna da coxa direita, foi examinada, medicada, orientada e liberada. “O HFA acionou o Conselho Tutelar – órgão que dará sequência ao caso”, disse, em nota.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o crime foi registrado na Delegacia da Mulher de Guarapari. A mãe foi autuada em flagrante por lesão corporal, da Lei Maria da Penha, foi arbitrada uma fiança de R$ 450, o valor foi pago e ela liberada. A identidade dos familiares não será revelada para preservar a vítima.

Casos de maus tratos aumentaram 30%

Casos de crianças que sofreram maus tratos dentro de casa são constantes em Guarapari. O Conselho Tutelar da cidade afirma que, de janeiro deste ano até hoje, 49 situações foram registradas no local. Ferimentos com fios, garfos e até queimaduras de cigarro já foram constatados nas vítimas. De acordo com o órgão, os bairros com maior incidência são Adalberto Simão Nader, Santa Mônica e Kubitschek.

“Comparando com o mesmo período do ano passado, podemos dizer que houve um aumento de 30% nos registros de casos de maus tratos. As pessoas estão sendo encorajadas a denunciar e isso é importante, porque a vítima pode se tornar um agressor no futuro, se ela não for tratada. Quando denunciado, se for necessário, a criança é até retirada da família, para chegar à adolescência e juventude sem reflexos daquilo que ela já passou”, conta a conselheira Zoraia Medeiros Bramusse.

O caso de ontem pode ser caracterizado como tortura, segundo Zoraia. Após o ocorrido, a menina está sob a responsabilidade do tio, que será chamado no Conselho, assim como os pais. “Vamos ouvir todo mundo, fazer um relatório e encaminhar também para a delegacia. Nós comunicaremos o judiciário e eles vão decidir se a criança será devolvida ou não para a mãe. A menina vai ter um acompanhamento psicológico, que pode durar de seis meses a um ano, dependendo da evolução dela”.

Denúncia

Como a conselheira ressaltou, a denúncia de casos de violência de todo e qualquer tipo contra crianças e adolescentes é muito importante. Para denunciar, basta ligar para 181, 100 ou 3262-9291. Não é necessário se identificar.

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