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Resistindo o tempo árvore histórica do Centro corre o risco de ser cortada

Por Glenda Machado

As fo­lhas in­sis­tem em bro­tar nos ga­lhos re­tor­ci­dos da árvore que há mais de 20 anos cresce de forma inusitada no canal de Guarapari. Com suas raízes presas no concreto, a espécie exótica Fícus resiste ao tempo dan­do a ideia, a quem pas­sa por ali, de uma vi­da que insiste em sobreviver mesmo em meio a mudanças.

a árvore da espécie Fícus cresce de forma inusitada há mais de 20 anos. Foto: FolhaOnline.es

Uma grande ameaça à árvore é a obra da Orla do Canal. É que a segunda etapa de obras que, está em sua fase final e segundo o Governo do Estado deve terminar até o fim do ano, está chegando próximo a árvore histórica. A intervenção, que foi muito positiva  na Avenida Pedro Ramos (descida da ponte) e Davino Matos, parece não ter o mesmo objetivo e planejamento para preservar é o que diz Leonardo Vieira, proprietário da Escuna Indiana.

“A obra está chegando bem perto da árvore e até agora não temos nenhum posicionamento do órgão responsável. Todos aqui gostaríamos que árvore permanecesse no local e se houver planejamento ela pode ser preservada e até virar um ponto turístico de apreciação. A grande pergunta é: qual o destino dela com a obra?”, desabafou Leonardo.

Com mais de R$ 36 milhões de investimento, sendo R$ 35,64 milhões do Ministério do Turismo e R$ 360 mil de contrapartida da Secretaria Estadual de Turismo (Setur) o projeto que contempla aproximadamente 32.500 m2 de área urbanizada e 2.222,07 m2 de área construída, terá ciclovias ao longo da orla, quiosques, deck turístico e pesqueiro e reforma da Associação de Pescadores (Aspropesca). Mas nenhum planejamento para a permanência da árvore.

“Esse planejamento aí nunca foi apresentado para nós aqui das escunas. Ninguém sabe como vai ficar aqui. Além da árvore que pode ser cortada, o acesso para os turistas às nossas embarcações pode não ser o adequado. Merecemos uma explicação”, completou Leo.

Mesmo com sua história, a árvore não aparece no planejamento da revitalização da orla do canal. Foto: FolhaOnline.es

Da mesma espécie da árvore do “Vovô Nuto e Lourdinha” na Praia do Morro, que também foi alvo no passado para ser cortada no processo de revitalização da orla, a árvore do canal tem 5 metros de altura e tornou-se o símbolo e até mesmo ponto de referência. Além da beleza e sombra, ela refresca ao entorno e dá cobertura para turistas que esperam para embarcar em um passeio de escuna.

“Não acho que a árvore deveria ser cortada. Com tanto incentivo nas grandes cidades para plantio de árvores e flores, cortar é um grande retrocesso. Sempre quando venho a passeio aqui em Guarapari essa árvore é notável e abriga a minha família quando vamos fazer andar de escuna”, disse o turista de Belo Horizonte, Robson Bonsucesso.

O FolhaOnline.es entrou em contato com o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-ES), responsável pela obra, mas até o fechamento desta reportagem não recebemos retorno.

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