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“A gente já vive aqui no terreno há mais de três anos e nunca criamos confusão com ninguém”

Por Redação Folhaonline.es

Por Glenda Machado

Uma estrutura mal acabada, no meio do Kart in door, no bairro Aeroporto. Dentro do casebre, quatro pessoas dividem um colchão, um sofá velho, algumas cobertas e um banheiro. Uma opção e talvez a única que eles encontraram para não morar na rua. Situação que já vivenciaram antes de compartilharem o pequeno recinto.

Ao seu redor, uma imensidão de incertezas, os motivos da angústia que tiram o sono há mais de três anos. Paulo Augusto da Silva, 38 anos, sem emprego, se vira como catador de recicláveis. Depois de uma forte chuva, ele perdeu a árvore onde se escondia e tornou-se um dos muitos rostos de uma convulsão social notada a cada esquina de Guarapari, agravada pela crise econômica. Os caminhos dessa gente, quase sempre, são invisíveis à maioria.

Moradores dividem um cômodo para não ficarem nas ruas.

“A gente já vive aqui no terreno há mais de três anos e nunca criamos confusão com ninguém. Na última chuva forte que teve, o vento arrancou a árvore com raiz e tudo e quase que matou a gente. Como aqui estava vazio, viemos para cá. Os comerciantes aqui ajudam dando água e tem gente que trás até cesta básica para nós”, explica.

O imóvel, que hoje serve de abrigo para os moradores, foi construído como ponto de apoio para a realização da festa da cidade, que era feita todo ano no espaço. Paulo contou que uma pessoa, que se identificou como da assistência social, esteve no local e perguntou se gostariam de ir para um abrigo, mas que não teriam lugar para guardar o material que eles coletam nas ruas, e, por isso não aceitaram a ajuda. “Ficaram de ver se conseguem o aluguel social para a gente”.

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