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Cocada: muito mais que uma sobremesa

Por Livia Rangel
Dilma construiu a minha casa e pagou a faculdade do filho com o dinheiro da cocada.
Dilma construiu a minha casa e pagou a faculdade do filho com o dinheiro da cocada.

Assada, de coco queimado, branca, com leite condensado, de maracujá e até com banana. Difícil eleger qual é a melhor cocada de Meaípe. Uma tradição da região que muitas vezes é a única fonte de renda da família como é o caso de Dilma Fernandes Soares, 47 anos. Há 23 anos, ela repete diariamente o processo manual de quebrar o coco, ralar, preparar e assar o doce. Depois, ainda enfrenta 20 minutos de ônibus com o tabuleiro em mãos para então vender a tradicional sobremesa na região.

“Eu construí a minha casa e formei meu filho com o dinheiro da cocada”, conta com emoção nos olhos e orgulho estampado no rosto. De forma tímida e acanhada, revela que só cozinha o básico. “Tenho mão boa mesmo para doce”, disse rindo. E quando questionada sobre o segredo do sucesso, a resposta é direta: “eu trabalho com muito amor e cozinho com carinho, porque a receita mesmo é simples e igual para todo mundo. Mas costumo dizer que é como fazer arroz, cada um tem o seu jeitinho”.

A paixão pela profissão é tão grande, que nem a hérnia de disco foi capaz de aposentar a nossa guerreira. “Meu filho, que é formado em Educação Física, sempre fala que é hora de parar. Mas enquanto Deus me der saúde e vida, eu vou trabalhar. Agora, a meta é formar a minha outra filha, que tem 14 anos”. Vendida a R$ 5,00 a unidade, Dilma é apenas um exemplo de várias outras mulheres de fibra que usam a arte da culinária para adoçar a vida e cuidar da família.

Reportagem: Lívia Rangel

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