
Com o agravamento da pandemia e o anúncio de 14 dias de restrições ao funcionamento dos setores econômicos considerados não essenciais em todo o Estado, as prefeituras também foram orientadas a realizar restrições mais rígidas para evitar o contágio pelo vírus e a ocupação dos leitos de UTI.
Em Guarapari, que atualmente se encontra com 100% de lotação dos leitos de UTI do ambulatório de síndromes respiratórias, as restrições incluíam o retorno da fiscalização da entrada de veículos na cidade por meio das barreiras sanitárias instaladas nas principais entradas da cidade.
Segundo o relato de moradores, entretanto, embora as barreiras estejam instaladas e com funcionários presentes, nenhum veículo que adentra a cidade é fiscalizado. Uma placa na barreira instalada na região de Meaípe, chega a dificultar a visão dos veículos que adentram a cidade.
Rodovia do Sol
Moradores de Meaípe contam que os funcionários no local não realizam qualquer tipo de fiscalização. “Agora, com a quarentena, voltaram com os funcionários na barreira, mas ficam ali olhando o tempo passar. Não tem função. Não param, não orientam, não medem temperatura, nem barram nenhum veículo”, explicou uma moradora.
Outra pessoa que reside na região explicou que qualquer veículo passa a barreira sem ser incomodado. “Da forma como ficam ali é até difícil identificar os veículos que se aproximam da cidade. Eu preciso viajar com frequência e moro em Meaípe, com placa de Vitória. Meu carro nunca foi parado para pedirem qualquer informação”, afirmou.

O morador ainda segue explicando que percebeu o que realmente deveria ser a barreira sanitária ao visitar um município no estado do Rio de Janeiro. “Em Macaé também instalaram barreiras sanitárias, e quase não me deixaram entrar. Tive que provar que estava a trabalho. Por aqui entram turistas de qualquer lugar”, contou.
Ele explica ainda que, com a gravidade da situação, é triste que a população de Guarapari sofra com esse nível de exposição. “Acredito que o objetivo é que cada um permaneça na sua cidade, sua casa. A barreira como está hoje não tem eficácia nenhuma, é apenas enfeite, para inglês ver”, explicou.
BR-101
Uma moradora de Muquiçaba que frequentemente atravessa a barreira instalada na entrada da cidade, próxima à BR-101, contou que também não vê veículos sendo parados no local. “Não existe nenhum tipo de ação, seja de fiscalização ou informativa. Já cheguei a ver viaturas policiais no local, mas é raro. E deveria ser sempre, pro caso de precisarem de apoio com alguém descumprindo regras, mas não têm nem amparo para isso”, contou a moradora.
Resposta da Prefeitura
Perguntamos sobre a fiscalização nos pontos de barreira para a Prefeitura de Guarapari. Em nota, a Secretaria Municipal de Postura e Trânsito (Septran) informou que as barreiras sanitárias buscam cumprir o decreto municipal que proíbe ônibus e vans de entrar na cidade.
Ainda segundo a Septran, a placa não atrapalha o trânsito local. Quanto à informação sobre a placa no ponto da barreira em Meaípe, a equipe afirma que há visibilidade para a equipe no local proceder com as ações de abordagem.