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O cômico universo médico, se não fosse trágico!

Por Glenda Machado

Dr. Nilson Mesquita lança livro de crônicas bem humoradas do cotidiano médico

Histórias de ficção com boas pitadas de realidade. Linhas que abordam o universo médico e entrelinhas que questionam o nosso dia a dia. Assim podem ser definidas as crônicas do Dr. Nilson Mesquita Filho. Com um olhar diferente e bem humorado, ele conta experiências que viveu e presenciou ao longo dos 38 anos de formado.

Eu... Escritor...
LIVRO conta com 30 crônicas.

Lançado no dia 15 de março , “Eu… Escritor…” é o título da primeira obra do nefrologista que já na capa brinca com as reticências. “Eu não sou escritor, sou médico. Mas sempre gostei de ler. Até o meu teste vocacional indicou jornalismo. Então, há seis meses me deu vontade de escrever e nos intervalos comecei a brincar. Não é nada técnico nem autobiografia”, disse.

E como inspiração não tem hora nem lugar, assim como médico nunca sabe quando terá uma folguinha, ele escreve no próprio celular. Afinal, Dr. Nilson é o responsável pelo Instituto do Rim em Guarapari há 14 anos além de atuar na área de transplantes do Hospital Meridional em Cariacica – cidade onde já foi secretário Municipal de Saúde.

Uma especialidade médica com laços estreitos com a morte e foi justamente esse o motivo pelo o qual optou por medicina. “Dentre tantas áreas, escolhi justamente a nefrologia. Diálise e transplante são difíceis. Quase virei neurologista, outra especialidade também sensível. Brinco que foi uma terapia forçada para tratar o meu medo da morte, pois lidamos com isso diariamente”, lembra Dr. Nilson.

Com esse tom de humor que ele revela a crônica que mais gosta: justamente a que leva o título da obra. Um médico que quer escrever um livro, mas tem dificuldade de sair do primeiro capítulo. Em síntese, a história seria sobre um serial killer que mata prostitutas. Mas o colega do hospital sugere que o alvo fosse os médicos, já que tinha problemas com o seu supervisor.

E assim vai colocando os leitores para pensar na vida, na política, na sociedade. Por exemplo, você já viu um médico anão? O Dr. Nilson também não, apenas em uma das crônicas do seu livro onde o anão é um pediatra. Também coloca o médico do outro lado da consulta, como o paciente que precisa fazer diálise. E o caso da desconfiança exagerada do urologista Joaquim Pinto. Por que será?

Dr Nilson 3
Dr. Nilton Mesquita Filho já pensa no segundo volume, inclusive já começou a escrever novas crônicas.

Além do humor, o livro ainda explora os dramas da vida. Dr. Nilson destaca a história de um jovem médico rico, filho do grande médico da cidade que é dono de terras e ultra direita. E ele se apaixona logo pela médica cubana… “O Mais Médicos é bom para o país, mas a formação acadêmica deles ainda é uma interrogação para a nossa classe médica”, destaca Dr. Nilson.

O estresse da profissão, a sobrecarga, a cobrança da sociedade, os problemas pessoais também são abordados de forma “cômica se não fosse trágica”. Afinal, antes de ser médico, aquela figura de jaleco branco é humano com vida além do hospital. Como o médico que cheio de dívidas acaba fazendo consultas sem nem examinar o paciente. Mas ao ser questionado, pede o paciente para se deitar na maca e após enforcá-lo, simplesmente senta na cadeira e grita: “próximo”.

Imaginárias ou não, todas se encaixam com o cotidiano médico definido como “escola da vida” por Dr. Nilson. Afinal, por mais estranho que seja como se deparar com um casal de gêmeos chamado Elvis e Presley da Silva, passa a ser corriqueiro entre plantões, corredores, unidades de saúde, salas de espera… E é misturando o humor de Luís Fernando Veríssimo com o trágico de Rubens Fonseca, que Dr. Nilson te convida a uma leitura leve de uma vida de tensão… À venda na livraria Logus do Shopping Jardins em Vitória.

 

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